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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Pain in my ass

Que a sociedade de hoje é uma autêntica selva urbana, é certo e sabido. Que é uma constante, em várias relações da nossa vida, despoletarem-se guerras de egos que nos tentam endrominar, espezinhar e/ou troçar, também não é novidade para mim. Não nego sequer a existência de dinâmicas às vezes tão insignificantes e mesquinhas que se verificam em grupos, como cada um representar e defender um papel distinto dentro do mesmo e dos problemas daí advindos quando surge um novo galo na capoeira em competição com o nosso lugar. Faz parte do ser humano achar a sua percepção, gosto, raciocínio, opinião e valores melhores do que os do vizinho e por isso mesmo em qualquer situação de discórdia puxar a brasa à sua sardinha. E ainda bem. De outra forma nem sequer faria sentido, pois evidentemente se não achássemos que a nossa opinião é a mais correcta nem sequer a teríamos. A diferença está em dar espaço a outras formas de pensar e de estar e em aceitar graciosamente essa diferença. E aí é que a coisa complica, porque vai de cada um.
Tudo isto para dizer a todos os que me passam atestados de burrice, como se fossem seres iluminados nascidos num berço de sapiência, a todos aqueles que usam e abusam da minha boa vontade e eterna disponibilidade, a todos aqueles que aproveitam qualquer vil falha minha para o seu prazeiroso escárnio e a todos os que entram em disputas comigo porque, pobres coitados, acham que lhes faço sombra que estimo muito que se fodam!

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A Pépa

Como diria a nossa querida Teresa Guilherme: olá, olá, oláaaa!
Em primeiro lugar, um grande bem-haja para todos e votos de um excelente ano! Pois se se inquietaram e se se perguntaram com a minha ausência, encontro-me viva, mas não de grande saúde. Nada de mais, apenas uma pequena "depressão" que me obriga, de quando em vez, a um shut down para procurar por novas actualizações, e estou, como a estação exige, constipadíssima até à quinta casa decimal.
Pois do que eu vim aqui falar não é das festas de Natal e de passagem de ano, que foram boazinhas, muito obrigada, das nomeações para os Óscares, que mais uma vez vão ser um tiro no escuro para mim, que ainda não vi nenhum dos filmes, ou desse glorioso relatório do FMI, que acha que somos demasiado generosos com os desempregados e há demasiados polícias, professores e afins e se calhar, por aquilo que nos é sugerido mais valia termos meia dúzia de gatos pingados a trabalhar neste país por 5 merréis, porque vai para aqui uma generosidade que não se pode. São uns mãos largas este estado e estas empresas privadas.
Adiante.
Do que eu vim aqui falar é mesmo da Pépa.


Oh, a Pépa! Personificação de tanto que já aqui espraiei sobre as betas e muito mais. Num registo ora mimado - não consigo abrir a boca mais do que um centímetro e dizem-me que fico super querida quando falo como uma criança de 7 anos - ora afectadíssimo à tia de Cascais - dois mil e dozeee (arrastar a palavra ao máximo com uma entoação de enfado) foi um ano positivo, de coisas óptimas (cá está o "óptimo"! eu não vos disse?). Este tipo de pessoas faz-me impressão. Não só a Pépa, mas todos os betos, queques, snobes, no fundo, que ela representa.
É que com este nível de nojo e de pudor, eu juro que não faço ideia como é que estas pessoas sobrevivem a uma diarreia ou ao coito! É que não há maneira de manter a elegância e a etiqueta quando está uma perna para cada lado e os fluídos acontecem no acto sexual ou as lágrimas nos vêm aos olhos num momento de aflição escatológica. Ou então, pobrezinhas, andam entupidas até às pestanas de ansiolíticos para lidar com tal "horror". Ou devem comer coisas que só sabe Deus, e o Tallon, para fazerem cocó às bolinhas, tipo cabra, e não sujarem nada. Seja como for, eu não percebo o porquê de tantos tiques e manias, se ao fim ao cabo se lhes der a volta à barriga, vão-se ver tão afoitas e afogueadas como qualquer um de nós. É que naquele momento em que transpiramos e coramos de esforço, as maneiras vão pela água abaixo enquanto a matéria fecal não vai!

E é com este bonito pensamento que me despeço. Com amizade.
Feliz 2013!

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Os betos

Os betos sempre foram uma raça que me causaram estranheza, pela sua arrogância, leviandade e pretensão de elegância, contraditória com a má-educação de que são exemplo, na maioria dos casos. São novos ricos, velhos ricos, faz-de-conta que são ricos, que se acham de boas famílias e de (uma quase) aristocracia, quando se calhar desconhecem que esta, em Portugal, está quase toda morta e são tão burgueses como o resto da maioria do povinho. Na verdade, acho que hoje em dia, o que os une não é o dinheiro, a profissão, a educação ou a cultura, mas simplesmente essa mesma pretensão identificável em todos eles e entre eles.
Os betos têm um vocabulário próprio, uma cozinha própria e um modo de se vestir próprio. Eles utilizam expressões como "um máximo", "giríssima", "é fantástica" ou "ficou ótima" e usam e abusam de anglicismos, mesmo quando os termos são praticamente iguais em português. As betas ligados à moda são as piores porque rara é a palavra que se esquiva à tradução para inglês e disparam frases como: Os dégradés, nesta altura do ano, estão démodé, enquanto os prints estão super in e dão um ar cool e servem para compôr tanto um look casual chic ou um street style, consoante os apontamentos e que além disso enriquecem bastante o nosso closet, que, a um português comum, só dá vontade de bradar aos céus. Além disso inventam nomes de cores como se não houvesse amanhã, como a beringela, a terracota, a paprika ou o burgundy e têm profissões como hair stylist ou personal shopper, o que na prática significa que vivem às custas do marido. E em toda a santa estação lá andam elas aos pulinhos e a dar ao rabo para espreitar as novas tendências.
Todas as betas são seguidas por nutricionistas, o Póvoas ou o Tallon, usam trinta cremes para o cabelo, corpo, mãos, unhas e, se for inventado, até para as pestanas elas compram e que recomendam religiosamente, tal e qual como as drenagens linfáticas, exfoliações de rosto e massagens, que fazem pelo menos uma vez por semana, para ficar com uma pele ótima. Em regra, andam sempre maquilhadas, mesmo que acordem às 5 da manhã, e de saltos, porque alonga imenso a linha da perna e dá um ar muito mais elegante, e mesmo que não sejam adeptas de peças clássicas, o seu trash look é criteriosamente pensado, nunca sendo vistas com uma singela t-shirt e calças de ganga, perdão, jeans, porque isso dá um péssimo aspecto.
Na culinária, os betos destacam-se novamente do Zé povinho, pois comem scones, cupcakes e brioches* em brunchs. Adoram comida orgânica, biológica, gourmet e, claro, obviamente tudo o que é light, porque é rara a beta gorda e que enfarde uma francesinha! Frequentam sítios como casas de chá e todo e qualquer restaurante japonês, ensandecidos com o sushi como se aquilo fosse a melhor coisinha que Deus criou na Terra.
As amigas das betas são umas xuxus, umas queridas e chamam-se Bárbaras - as Bás-, Beneditas - as Bés- ou Madalenas - as Madas(?). Os filhos são os Antónios Marias, os Manueis e os Bernardos, porque agora, infelizmente, tudo o que é povo também se lembrou de chamar os filhos de Tomás, Martim ou Rodrigo, o que é um horror, porque se estão a tornar super vulgares.
E este tipo de gente passa os fins-de-semana em inaugurações, festas ou desfiles, para os quais são naturalmente convidados, ou no clube de golfe do marido, enquanto os miúdos ficam em casa da avó Carlota, uma velhinha por norma muito pomposa, ou num workshop fantástico, que é sempre uma ótima iniciativa de uma empresa qualquer. São fotografados para a revista Caras, quando ninguém sabe quem eles são e as esposas-betas, se não têm uma das profissões supra-citadas, são descritas geralmente como empresárias, RPs ou largaram um carreira de sucesso para tomar conta dos miúdos e criaram recentemente um blogue também ele de sucesso (porque tudo na vida deles é de sucesso, até o seu cocó deve ser de sucesso), com todas as suas espectaculares dicas de moda ou histórias das maravilhas da maternidade.
Haja paciência!



* Definição de brioche pela Desciclopédia: Brioche é pão. Nada mais, nada menos que pão, só que com nome afrescalhado para que você que só come pão pensar que é um pobre coitado.

domingo, 1 de julho de 2012

Sobre os maiores da nossa rua

Tenho algumas teorias sobre pessoas com traços de personalidade muito exagerados:

- Os que têm a puta da mania que são espertos: acham-se seres superiores ao comum mortal, muitíssimo mais inteligentes do que a maioria de nós, verdadeiros mentecaptos; apostam fortemente na cultura como arma de arremesso contra o povo acéfalo; são arrogantes, condescendentes e não há tema que não dominem: desde política a arte, passando pelo desporto, desconfio que até de técnicas de jardinagem eles percebam!

Teoria: Forma de compensação por falta de sexo, infância infeliz ou problemas mal resolvidos com os pais.


- Os que alegam ser "muito qualquer coisa": são os "muito sinceros", "muito honestos", "muito frontais", etc; na tentativa de provarem, a si mesmos e aos outros, o quão "muito" eles são, tornam-se inconvenientes e insurrectos, mas aquele traçozinho de personalidade é a jóia da coroa para eles. Motivo de orgulho e de gáudio, adoram espalhar a sua auto-proclamação como quem espalha a Despertai!

Teoria: Forma de compensação por serem fuckep up; pessoas confusas, que aspiram a uma personalidade forte e vincada. Caem em contradição que nem tordos.


- Os que têm a puta da mania que são os maiores: são tão bons, tão bons, tão bons que parecem acreditar que vivem uma super-vida, até um simples espirro tem quase sempre uma história inacreditável por trás; ruidosos e espalhafatosos, tudo gira à sua volta e adoram pôr-se a jeito para receberem elogios; desconfio que se jantassem com o Gandhi, Mozart, Van Gogh e Einstein, ainda assim eram eles as estrelas!

Teoria: Forma de compensação por uma auto-estima muito baixinha. A vida deles é uma merda e eles sabem-no.


domingo, 22 de abril de 2012

The difference between real friends and lousy ones

Point number one: With real friends, things are smooth and easy. You are who you are and you're perfectly confortable to call your friend an ass, when he's being one.

Point number two: With real friends, there's no need to walk all over them to stand out. There's a thing that stops you from doing that. A crazy little thing called LOVE.